Cartas de Amor

Cartas de amor
Com o desaparecimento físico da minha avó, comprometi-me a recolher a mobília e objectos que restassem após a divisão pelos herdeiros.Apesar de a grande maioria do que restou não ter qualquer valor monetário, achei que não devia deixar que fosse largado no contentor do lixo mais próximo.Alguns móveis não têm salvação possível, mas há alguns que depois de devidamente recuperados ainda vão chamar muito a atenção. Estou encantada com uma arca antiga que pertenceu à minha bisavó, mas que como é tão pesada ainda não consegui transportá-la.
Encontro-me neste momento a percorrer vários papéis que existiam e a seleccionar o que realmente valerá a pena guardar.São vários os documentos relacionados com a actividade profissional do meu avô, muitos deles datados antes do meu próprio nascimento.
Foi no meio desses documentos, num envelope discreto que encontrei estas cartas e uma fotografia muito antiga de uma mulher.São cartas para o meu avô, com palavras ternas e apaixonadas, escritas num tempo em que não se podia expressar os sentimentos mais fortes de qualquer maneira. Foram guardadas durante muitos anos pelo meu avô e depois do seu desaparecimento ficaram por ali perdidas, sem merecerem a atenção de ninguém.
E dou por mim a pensar que se este amor tivesse “vencido”, tudo seria diferente. A nossa vida é sem dúvida, o resultado daquilo que fazemos todos os dias, mesmo daquelas coisas que fazemos inconscientemente, mas que podem mudar tanto a nossa história.

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